quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Atentado na Somália mata ao menos 70

Ataque em frente a ministério foi o mais sangrento do grupo extremista Al Shabab, ligado à rede Al Qaeda, no país

Caminhão-bomba tinha como alvo funcionários do governo e soldados das forças de paz, mas atingiu estudantes

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O grupo extremista islâmico somali Al Shabab, ligado à Al Qaeda, lançou ontem seu mais mortal ataque no país. Pelo menos 70 pessoas -entre elas muitos estudantes- morreram na explosão de um caminhão-bomba em frente ao prédio do Ministério da Educação, em uma das ruas mais movimentadas do centro da capital, Mogadício. Mais de 40 ficaram feridas.
No local, também funcionam outros dois ministérios do Governo Federal de Transição da Somália. De acordo com o Al Shabab, o ataque tinha como alvo "funcionários do governo e estrangeiros", uma referência às tropas de países como Uganda e Burundi, que compõem a missão de paz da UA (União Africana), a Amisom.
Na hora do atentado, no entanto, dezenas de estudantes estavam no local para se inscrever em bolsas de estudo oferecidas pelo governo da Turquia.
"O que ocorreu em Mogadício foi terrível. Mostra o quão cruéis e estúpidos são a Al Qaeda e seu aliado, Al Shabab", disse o presidente da Somália, Sharif Ahmed.

"ATAQUE DIVINO"
Após reconhecer a autoria do ataque, o grupo alertou que poderia agir de novo. "Somalis, um alerta: fiquem longe de prédios do governo e das bases dos soldados deles [tropas da UA]. Ataques mais sérios estão por vir", disse o porta-voz do Al Shabab, Ali Mohamud Rage, em um comunicado.
Segundo Rage, esse foi um "ataque divino" e uma prova de que eles "ainda estão em Mogadício". Em agosto, os insurgentes anunciaram que tinham realizado uma "retirada tática" da capital em meio a uma ofensiva das tropas da União Africana. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse "consternado" pelo atentado "incompreensível".
"[O ataque] foi ainda mais abominável porque vem em um momento em que os líderes políticos da Somália têm trabalhado juntos para traçar um futuro de paz para a Somália", disse o porta-voz de Ban, Martin Nesirky.
O secretário-geral da Organização de Cooperação Islâmica, Ekmeleddin Ihsanoglu, também condenou o ataque "hediondo" contra civis. A Somália vive uma guerra civil e não tem um governo central efetivo desde 1991, quando o ditador Siad Barre foi deposto.
O atual governo, apoiado pelo Ocidente, enfrenta a dura oposição do Al Shabab, que está na lista de organizações terroristas internacionais dos Estados Unidos e é acusado pela ONU de recrutar crianças para a guerra.

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