quinta-feira, 20 de outubro de 2011

99%

KENNETH MAXWELL

Joseph Stiglitz, economista ganhador do Nobel, recebeu o crédito pelo título "99%", que foi assumido pelo Ocupe Wall Street e que faz referência à sua afirmação de que 1% dos cidadãos dos EUA controlam 40% da riqueza do país.
Faz apenas um mês que mil manifestantes se instalaram em Wall Street para expressar sua indignação diante da cobiça das grandes empresas e da desigualdade social. Montaram acampamento no Zuccotti Park, no centro financeiro de Manhattan.
O protesto se espalhou para 900 cidades de todo o planeta no final de semana passado. Muitas das manifestações foram inspiradas e coordenadas pela campanha do Ocupe Wall Street.
Em Londres, um acampamento foi montado pelos manifestantes no pátio diante da catedral de St. Paul, cujo grande domo domina o panorama da cidade desde que o edifício foi construído, depois do grande incêndio londrino de 1675.
Os manifestantes foram impedidos pela polícia de ocupar a praça Paternoster, ao lado da catedral, onde há um empreendimento imobiliário controlado pela Mitsubishi Estate Co. e que abriga a Bolsa de Valores de Londres e a sede britânica do banco Goldman Sachs. Mas as autoridades eclesiásticas intercederam e anunciaram que os manifestantes estavam autorizados a se acomodar nos terrenos da igreja, que abarcam boa parte da praça diante da catedral.
Os atos em Londres vêm sendo, em geral, pacíficos, o que contrasta fortemente com os violentos tumultos de agosto. O presidente da Federação Alemã dos Bancos disse ao jornal "Financial Times" que os protestos "desviam a atenção do problema fundamental: o fato de que já não temos como bancar nossos Estados de Bem-Estar Social".
Não foi exatamente uma declaração conciliadora. Nova York e Londres estão longe de ser as primeiras cidades a abrigar protestos contra a cobiça das grandes empresas e bancos, tampouco podem ser consideradas como exemplos desse tipo de manifestação.
Na Grécia, violentos confrontos de rua vêm ocorrendo há meses. Em Madri, os "indignados" estão acampados na praça Porta do Sol desde maio, e suas manifestações inspiraram protestos em outros lugares da Espanha.
Em Santiago (Chile), milhares de estudantes secundaristas e universitários vêm exigindo uma grande reforma no sistema educacional, entrando em choque com a polícia repetidamente. Em Roma, 200 mil pessoas se manifestaram, com violência generalizada.
Mesmo em Chicago, 175 pessoas foram detidas no Grant Park, local de notórios confrontos entre manifestantes e policiais na infame convenção presidencial do Partido Democrata em 1968. Não é uma lembrança auspiciosa.

KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras na Folha de São Paulo

Tradução de PAULO MIGLIACCI 

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