sábado, 17 de setembro de 2011

Palestinos querem ser aceitos como 'Estado pleno'

Líder Abbas afirma que pedirá na semana que vem reconhecimento

Caminho escolhido é o de fazer pedido ao Conselho de Segurança, mas proposta deve ser vetada pelos EUA

ÁLVARO FAGUNDES

DE NOVA YORK

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que vai apresentar na sexta-feira que vem na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o pedido para que os territórios tornem-se "membro pleno" das Nações Unidas, o que deve gerar confronto diplomático direto com EUA e Israel.
Para se tornar membro pleno, os palestinos precisam do aval do Conselho de Segurança, mas os EUA, que têm poder de veto no órgão, já disseram mais de uma vez nos últimos meses que não vão aprovar a medida.
"Se formos bem-sucedidos -e estamos trabalhando para isso-, precisaremos saber que a ocupação não vai acabar no dia seguinte ao reconhecimento do Estado", disse Abbas.
"Mas teremos obtido o reconhecimento mundial de que nosso Estado é ocupado e que nossas terras são ocupadas, e não um território disputado, como alega o governo israelense."
O palestino afirmou que o Estado seria reconhecido com base nas fronteiras de antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, com Jerusalém Oriental como capital.
Uma outra saída, que não passa pelo Conselho de Segurança, é a Assembleia Geral aprovar a Palestina como Estado observador, o que não lhe dá voto no organismo, mas permite participar de órgãos como a Unicef.
Mais importante: poderá levar reclamações ao Tribunal Penal Internacional, como alegações de que Israel cometeu crimes de guerra.
O líder palestino disse ontem que a escolha foi pela votação no Conselho e que outras opções serão decididas posteriormente.
Para ser Estado observador não membro, um país precisa da aprovação da maioria simples da Assembleia Geral, formada por 193 nações.
A decisão de Abbas constituiu uma nova estratégia 20 anos depois do início das negociações de paz com Israel.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta semana que tinha esperanças que os dois lados voltassem a negociar, de acordo com o plano proposto pelo presidente Barack Obama em maio.
Para os EUA, tradicionais aliados de Israel, vetar a proposta deve ser mais um golpe na sua imagem no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o governo Obama tem relação conturbada com o premiê Binyamin Netanyahu e vem perdendo apoio entre a comunidade judaica nos EUA.
Após o anúncio de Abbas ontem, Netanyahu divulgou nota dizendo que paz não é obtida "unilateralmente".

EGITO
O governo de Israel chamou ontem o embaixador egípcio no país para uma conversa após o premiê interino do Egito afirmar que o tratado de paz assinado entre as duas nações em 1979 "não é algo sagrado" e "poderá ser revisto".

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