sábado, 24 de setembro de 2011

Palestinos pedem Estado e ONU sedia duelo com Israel

Abbas apresenta pedido de reconhecimento e diz ser 'momento da verdade'

Netanyahu reage e diz que para haver Estado é necessário primeiro que sejam concluídas as negociações de paz

ÁLVARO FAGUNDES
VERENA FORNETTI

DE NOVA YORK

Após meses de negociação, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, apresentou ontem o pedido para que a ONU reconheça o Estado palestino como membro pleno, em um dia marcado pela disputa verbal entre ele e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu.
Logo após entregar o documento para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Abbas discursou à Assembleia-Geral, onde foi recebido com um longo aplauso.
A delegação do Brasil foi uma das que aplaudiram de pé ao final do discurso.
"É o momento da verdade e o meu povo está esperando para ouvir do mundo: vão permitir que Israel continue a sua ocupação, a única ocupação do mundo?"
Já Netanyahu rebateu dizendo que a ONU não é o melhor caminho para que as duas partes cheguem a um acordo de paz e que é necessária a negociação direta.
"Nós viajamos milhares de milhas até Nova York, então vamos nos encontrar hoje [ontem] na ONU. O que nos impede?", disse o israelense.
Netanyahu discursou depois de Abbas e para um público menor porque vários diplomatas deixaram a sala em boicote. O aplauso foi tímido e puxados por israelenses.
Ele também contestou a versão do palestino de que a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia é o centro da falta de acordo.
Para o premiê, a paz precisa ser ancorada pela segurança. Ele disse que a saída de Israel do Líbano e da faixa de Gaza "não acalmou a tempestade militante islâmica" (referência a foguetes do Hizbollah e ao Hamas), só a trouxe "para mais perto de nós".
"Israel está preparado para ter um Estado palestino na Cisjordânia, mas não para ter uma nova Gaza."
Já Abbas disse que a "ocupação está correndo contra o tempo para redesenhar as fronteiras da nossa terra de acordo com o que deseja impondo um fato consumado".
O líder palestino disse que Israel tem uma "política multifacetada de limpeza étnica que visa retirá-los [os palestinos] da sua terra ancestral".
Para Netanyahu, "limpeza étnica" é pregar a criação de um Estado sem judeus.

PRÓXIMOS PASSOS
O Conselho de Segurança começa a discutir depois de amanhã a proposta da Palestina. A votação, no entanto, pode demorar porque os palestinos buscam o apoio de ao menos 9 dos 15 membros. Têm garantido ao menos seis até agora, entre eles, o Brasil.
A vitória seria simbólica, porque os EUA já disseram que vão vetar a proposta.
O Quarteto (ONU, EUA, UE e Rússia) propôs ontem a retomada das negociações para que um acordo seja finalizado até o fim de 2012.
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, elogiou a ação. "Não tínhamos essa manifestação do Quarteto tão firme em favor da retomada das negociações, estabelecendo inclusive prazos".

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