quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Palestinos buscam 3 votos para 'vitória moral' em Conselho

Líderes dizem ter o apoio de 6 dos 15 membros do órgão para reconhecimento como Estado pelas Nações Unidas

Se chegarem a 9 votos, obrigarão os EUA a exercer poder de veto; Mahmoud Abbas se reúne hoje com Obama

ÁLVARO FAGUNDES
VERENA FORNETTI

DE NOVA YORK

Faltando três dias para a Palestina apresentar o pedido para ser reconhecida como Estado membro da ONU, as negociações se intensificavam para conquistar apoio no Conselho de Segurança.
Os palestinos dizem que têm ao menos 6 dos 9 votos necessários.
Hoje, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, se reunirá com o presidente dos EUA, Barack Obama, que já deixou claro que vetará o pedido no Conselho de Segurança. Obama também receberá o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.
"Elas [autoridades palestinas] estão tentando convencer dois ou três membros do Conselho de Segurança a votar a favor de aceitar a Palestina como Estado membro da ONU", afirmou, em Nova York, o ministro das Relações Exteriores palestino, Riad Malki.
Para que seu pedido seja aceito, os palestinos precisam do apoio de 9 dos 15 países que integram o Conselho e que nenhum dos cinco membros permanentes (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) vetem a proposta.
Os palestinos contam atualmente com os votos de Brasil, China, Índia, Rússia, África do Sul e Líbano. Além dos EUA, os votos contrários dados como certos são os de Colômbia e Alemanha.
O chanceler brasileiro Antonio Patriota disse que a presidente Dilma Rousseff e o colega americano, Barack Obama, não discutiram o assunto na reunião que tiveram ontem em Nova York.
A dúvida ainda paira em relação a França, Reino Unido, Bósnia, Nigéria, Gabão e Portugal.
O presidente israelense, Shimon Peres, conversou ontem com o colega da Bósnia e deveria fazer o mesmo com os líderes de Gabão e Nigéria, buscando apoio contra o projeto palestino.
Já o premiê Binyamin Netanyahu viajou ontem para Nova York, onde disse não esperar recepção "calorosa".
"Exatamente por isso que acredito que devamos ir lá [Assembleia Geral da ONU] e apresentar a nossa verdade, de um povo que foi atacado seguidamente por aqueles que eram contra a nossa própria existência."
No cenário em que a proposta passe pelo Conselho de Segurança, ela precisa ser aprovada ainda por dois terços dos 193 países que integram a Assembleia Geral da ONU -o que seria praticamente certo.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que vai entregar na sexta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido, que, assim, será encaminhado ao Conselho de Segurança.
Segundo o chanceler francês, Alain Juppé, pode levar "semanas" para que a votação ocorra no Conselho.
"Não parece que a votação vai acontecer nesta sexta-feira, porque não vai dar tempo para que a diplomacia retome as negociações de paz."
A outra alternativa para os palestinos é encaminhar o assunto diretamente à Assembleia Geral para reconhecê-los como Estado observador, o que exigiria a aprovação por 97 países.

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