sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Oposição nos EUA faz plano pró-emprego rival ao de Obama

Presidente da Câmara, John Boehner alfineta o mandatário e diz que projeto do governo é "fraquinho" para impulsionar crescimento

DE WASHINGTON

Uma semana após o presidente Barack Obama apresentar seu plano de criação de empregos, foi a vez de o presidente da Câmara dos EUA, John Boehner, anunciar ontem o projeto da oposição.
Como Obama tem feito reiteradamente, o deputado de Ohio exortou democratas e republicanos a colocarem os interesses da população acima dos interesses políticos.
Mas Boehner aproveitou para alfinetar o presidente, que, por sua vez, culpa a oposição por não negociar nenhuma de suas propostas.
O republicano disse que o plano de Obama é um "substituto fraquinho" para políticas de incentivo ao crescimento -a economia americana corre risco de estagnar ou mesmo recair na recessão.
"Essas iniciativas parecem visar mais a próxima eleição [em 2012] do que a próxima geração", disse Boehner em discurso transmitido na TV.
O presidente propôs um pacote de US$ 447 bilhões, a maior parte dele calcado na redução de impostos na folha de pagamento das empresas, para incentivar a contratação. Outras medidas visam estimular obras de infraestrutura e evitar a demissão de professores. Mas a oposição rejeita as ideias e teme que o plano seja uma injeção de estímulo mal disfarçada e infle mais o deficit americano.
Só que o plano republicano não tem detalhes -basicamente, pede alterações na lei para evitar novas demissões. Mas, ao menos a versão entregue ontem, que pode ser acessada no site do Congresso, não cita estímulos.
Para tanto, Boehner defendeu uma reforma tributária que amplie a base de cobrança e reduza as alíquotas, a fim de proteger as empresas e conter as demissões.
Na semana que vem, Obama apresenta suas sugestões à supercomissão mista criada no Congresso para desenhar um pacote de cortes e reduzir o deficit americano.
Democratas defendem um plano que combine aumento de impostos e corte de gastos, enquanto os republicanos querem apenas cortes.
Ontem, veio à tona que o presidente não prevê, em sua proposta, nenhuma reforma no sistema de seguridade social -o que deve alimentar um novo embate com a oposição. (LC)

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