sexta-feira, 16 de setembro de 2011

FMI alerta para tensões causadas por crise global

Alto desemprego entre jovens é preocupante

LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON

O Fundo Monetário Internacional apontou ontem o risco de tensões sociais -alimentadas pelo desemprego recorde entre jovens- como uma das principais consequências da crise econômica.
Pela primeira vez, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, citou o alto nível de desemprego na geração que entra no mercado de trabalho como algo "perene".
"[Um problema na economia global] está relacionado a tensões sociais borbulhando abaixo da superfície", disse ontem, em Washington, durante um evento no Centro Woodrow Wilson.
"O alto desemprego, perene, sobretudo entre os jovens; a austeridade fiscal que erode as proteções sociais; a sensação de injustiça e de que os mercados têm prioridade sobre a economia real [...], alimentam crise de confiança."
Desde o estouro da crise, há exatos três anos, o desemprego paira em 9% nos EUA (fechou agosto a 9,1%) e em 10% na União Europeia -na Espanha, chega a 20%.
A situação é mais grave para os jovens, entre os quais os índices duplicam e a tendência é de alta.
Nos EUA, 1 em cada 4 pessoas de 16 a 19 anos que entrou (ou quer entrar) no mercado de trabalho está sem emprego. Já na UE, o desemprego está em 20,7% para quem tem até 25 anos -a Espanha tem o quadro mais grave, com quase metade dos jovens (46,2%) parada.
O discurso de Lagarde ontem -o segundo desde que ela assumiu o cargo, em julho- focou desafios e soluções para a economia global.
Novamente, ela chamou a atenção para a crise da dívida nos países ricos, chamando a recuperação econômica de "anêmica" e dizendo que os problemas nos EUA e na Europa se retroalimentam.
"Esse círculo vicioso está ganhando fôlego e, francamente, foi aumentado pela falta de decisão e a disfuncionalidade da política."
Lagarde enfatizou ainda que, dada a interconectividade das economias, ninguém pode se achar imune à crise.
Os países emergentes, enfatizou, correm risco de superaquecimento, com a entrada de dólares tirados às pressas dos países mais ricos pressionando câmbio e inflação e alimentando o deficit em conta corrente.

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