terça-feira, 27 de setembro de 2011

Crise faz União Europeia discutir o impensável

ANÁLISE ECONOMIA EUROPEIA

Bloco já debate seriamente temas árduos como união fiscal e responsabilidade compartilhada sobre dívidas nacionais



A CÚPULA VAI DEBATER CRIAR UMA AUTORIDADE CENTRALIZADA DA UE SOBRE AS ECONOMIAS NACIONAIS


PETER SPIEGEL
DO "FINANCIAL TIMES"

O tempo para resolver a crise das dívidas nacionais da zona do euro está se esgotando mais rápido do que as autoridades imaginavam. Escolhas sobre a Grécia e o futuro do euro terão de ser feitas em semanas.
Propostas antes consideradas impensáveis -tais como uma união fiscal ou responsabilidade compartilhada pelas dívidas nacionais- estão sendo preparadas para discussão entre os ministros.
Os governos deverão resolver três questões para responder à crise antes da conferência de cúpula da UE (União Europeia), em outubro. São elas: definir os poderes do fundo de resgate à zona do euro (no valor de € 44 bilhões), chegar a acordo sobre a necessidade de expandir esse fundo e apresentar planos para uma integração econômica aprofundada.

FUNDO DE RESGATE
A tarefa imediata é conseguir que os 17 Legislativos da zona do euro aprovem a reforma do mecanismo europeu de estabilidade financeira (EFSF), o fundo de resgate aos integrantes do bloco.
Até recentemente encarada como inaceitável por Alemanha e Holanda, essa tarefa agora é vista como essencial para resolver os dois problemas que mais ameaçam a zona do euro: um colapso do sistema bancário e uma corrida aos títulos públicos espanhóis e italianos. Para que o EFSF execute suas novas funções, os líderes da zona do euro reconheceram que o fundo já não tem as dimensões necessárias para suas novas tarefas.
Os resgates a Grécia, Irlanda e Portugal reduziram o montante disponível para garantias no EFSF a € 250 bilhões (R$ 615 bilhões). Muitos dos países que contribuíram para o fundo não têm mais capacidade de elevar sua participação. Os líderes europeus estão agora debatendo pelo menos cinco propostas diferentes sobre como fazer com que o capital do EFSF renda mais.

INTEGRAÇÃO ECONÔMICA
A cúpula da zona do euro debaterá reformas amplas para estabelecer uma autoridade centralizada da UE sobre as economias nacionais. Algumas das ideias são um Ministério das Finanças europeu e novos títulos garantidos coletivamente por todos os países da zona do euro.
Mas os debates mais recentes tratam da necessidade de uma revisão de tratados para implementar as reformas. Diversos países estão preocupados com a possibilidade de que um debate mais amplo sobre os tratados da União Europeia cause disputas políticas ferozes dentro de cada país.
Já a Alemanha está pressionando por novos tratados, que contenham normas severas para impedir países-membros perdulários de solapar a moeda comum.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Nenhum comentário: