sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Budista foge da autoajuda e de proselitismo religioso

ANÁLISE

RAUL JUSTE LORES
EDITOR DE MERCADO

Ao ser questionado por um empresário sobre consumidores e competitividade, o dalai-lama não pestanejou: "Não sou especialista no assunto".
Outra pergunta parecida e uma resposta mais enfática. "Não sei o que é uma economia budista."
O título da palestra, a começar pelo 'mundo sustentável', prometia o mesmo que dezenas de seminários para lideranças empresariais nos últimos três anos: "Nova consciência nos negócios - Valores empresariais para um mundo sustentável - um movimento de transformação"
Mas o líder budista tibetano escapou de dar uma receita de como ser um empresário consciente ou mesmo de explicar o que é felicidade.
Em uma hora de conversa, enfatizou a crescente distância entre ricos e pobres, a necessidade do respeito ao ambiente e o altruísmo para o empresariado.
"Muitos empresários falam de eu, eu, eu, mim, mim, são autocentrados, precisam saber olhar ao redor", disse.
A ênfase em valores morais apresentou conceitos comuns, em teoria, à maioria das religiões. Mas, ao responder uma pergunta sobre a qualidade da educação no Brasil, defendeu uma educação moral 'secular'.
"Qualquer educação moral religiosa não seria universal", disse. "O problema é que, no Ocidente, o secularismo é visto como antirreligião. Na Índia, onde o secularismo respeita todas as religiões, a democracia funciona".
Cada elogio ao país onde está exilado era acompanhado de críticas à China, de onde fugiu após um golpe fracassado em 1959. "A distância entre pobres e ricos aumentou, eles têm um comunismo capitalista", ironizou.
Ao final do encontro, disse que já era hora de dormir (pouco antes das 18h). Demonstrou que paciência budista tem limite.
"São Paulo tem carros demais, nada sustentável. Imagina se chineses e indianos também quiserem ter dois carros em casa?", reclamou. Ele chegou ao Sheraton-WTC com auxílio de batedores.

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