sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Brasil desconfia de programa iraniano

Chanceler Antonio Patriota diz não ter certeza de finalidades exclusivamente pacíficas do projeto nuclear do país

Entrevista concedida ao programa 'Poder e Política', parceria entre Folha e UOL, está também na internet

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

A menos de uma semana de a presidente Dilma Rousseff fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez críticas à falta de confiança sobre as finalidades pacíficas do programa nuclear do Irã.
"Existem temores com algum fundamento de que o programa de desenvolvimento de energia nuclear do Irã não seja exclusivamente para fins pacíficos. Acho que é necessário o Irã demonstrar que, de fato, ele é apenas para fins pacíficos", declarou Patriota em entrevista à Folha e ao UOL.
O ministro foi indagado se confirmava o teor de declarações suas reproduzidas em um telegrama da embaixada dos Estados Unidos, de fevereiro de 2010. No documento, vazado pelo WikiLeaks, Patriota era citado dizendo que "a desconfiança é grande" sobre o governo do Irã.
O chanceler brasileiro respondeu que "não usaria exatamente as mesmas palavras, mas o reconhecimento de que existe um problema de confiança é um reconhecimento que sempre houve de parte do Brasil".
Patriota nega uma inflexão na política externa brasileira em relação ao Irã agora na administração da presidente Dilma Rousseff. Ainda assim, era raro no governo de Lula ouvir algum integrante do alto escalão fazendo declarações críticas aos iranianos.
"As linhas básicas permanecem as mesmas. Somos a favor de um engajamento com o Irã que contribua para diminuir as tensões", disse.
Sobre o discurso que Dilma fará na semana que vem na ONU, o ministro sugeriu que deve estar presente o tema recorrente da reforma do Conselho de Segurança. A presidente também deve falar sobre a crise econômica internacional e a necessidade de aprofundar o multilateralismo na diplomacia.
Ao fazer um balanço dos atentados do 11 de Setembro, Patriota criticou as políticas adotadas pelos EUA na "guerra ao terror". Para ele, "existe um novo consenso internacional de que a tortura não é um método adequado para se obter informações" numa referência ao tratamento conferido a alguns suspeitos detidos pelos norte-americanos.

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