domingo, 7 de agosto de 2011

Relaxamento nos EUA

Editoriais
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Risco de tombo da economia americana em nova recessão reacende especulações sobre terceira rodada de injeção de dinheiro público nos bancos

Na semana em que governo e Congresso dos EUA chegaram a um acordo a respeito da dívida, soube-se que o ritmo da economia era bem menor que o imaginado, no entanto já medíocre. A Europa nublou ainda mais o ambiente com notícias do risco de insolvência da Itália e de crise bancária.
O acordo sobre a dívida americana consolidou a percepção de que não haverá novo estímulo na forma de mais gastos. Em breve, virão cortes de despesas.
Previa-se até junho que os EUA cresceriam 2,5% neste ano; agora, estima-se que o PIB subirá apenas 1,5%. Um choque adverso pode lançar o país em nova recessão.
Dado tal cenário, renova-se a especulação sobre nova rodada de estímulo econômico pela via monetária, a cargo do banco central dos EUA, o Fed. O mais recente programa de relaxamento monetário começou em novembro de 2010. Era resposta à desaceleração de meados do ano passado. O programa, "quantitative easing 2" (QE2), acabou em junho passado.
Por meio desses programas, o Fed compra títulos de dívida privada ou da dívida pública americana. Grosso modo, injeta dinheiro nos bancos e, assim, procura reduzir as taxas de juros. No QE2, o Fed comprou títulos da dívida de longo prazo a fim de baixar seus juros (a taxa de curto prazo já é zero, ou negativa, em termos reais).
Os juros de longo prazo baixaram, de fato. Embora possa ter evitado dano maior, o QE2 mal estimulou empréstimos. Bancos relutam em emprestar; famílias endividadas ou receosas evitam tomar emprestado; as empresas estão com os caixas cheios.
Em junho, integrantes do Fed chegaram a aventar a possibilidade de um QE3, caso a lentidão econômica impedisse a queda do desemprego e a inflação baixasse.
Números do desemprego divulgados na sexta-feira indicam que a economia nem está em colapso, como se temia semana passada, nem é capaz de criar empregos.
Um QE3 seria útil? Em primeiro lugar, demoraria meses para fazer efeito, se algum. Tende a elevar a inflação, o que não é tão ruim, dado o risco ainda pior de deflação.
Mas pode contribuir para elevar o preço de ativos de risco e commodities (petróleo e recursos naturais, alimentos inclusive). Deve incrementar o risco de criação de bolhas e desordem econômica (como a alta do real, no Brasil).
O Fed ainda parece esperar para ver se a desaceleração deveu-se mais a fatores transitórios (terremoto no Japão, combustíveis caros, Europa) do que a uma deterioração fundamental da economia, que, em parte, de fato ocorreu.
O rebaixamento da nota de crédito nos EUA e o risco de novos choques, como o colapso na Europa, podem exigir ação mais imediata. O país está à beira de perder o equilíbrio e tombar de novo na recessão.

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