quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Obama aos 50 anos

KENNETH MAXWELL

Hoje é o 50º aniversário de Barack Obama. A comemoração foi iniciada na noite de ontem, com concerto, jantar e evento de arrecadação de fundos, no histórico salão Aragon, em Chicago.
O Aragon Ballroom foi construído em 1926, com arquitetura no estilo mourisco. Seu interior lembrava uma aldeia espanhola, e o salão cujo nome celebra uma região da Espanha foi um grande sucesso no início dos anos 1930.
Reza a lenda que túneis secretos o conectavam ao Green Mill Bar, um reduto alcoólico da era da Lei Seca frequentado por Al Capone, o mais famoso gângster de Chicago.
No final dos anos 1960, quando morei em Chicago, o Aragon Ballroom havia-se tornado local dos maiores shows de rock, e era notório pelos frequentadores desordeiros.
Nos anos 1970, sob novos proprietários de etnia latina, a casa passou a promover shows e bailes para hispânicos, bem como ocasionais lutas de boxe.
Para Obama, uma festa de aniversário no Aragon Ballroom representa um retorno às "raízes". Mas a história de Obama em Chicago é, de certa maneira, problemática.
Em larga medida, ignora seus anos de infância passados no Havaí e na Indonésia, o papel de seus avós brancos e seus anos de estudo no Occidental College, em Los Angeles, e na Universidade Columbia, em Nova York.
Mas, então, o que Obama decide enfatizar sobre seu passado tende a ser político. Seus anos de trabalho em Chicago como ativista social e, depois, professor de direito e político, assim como suas atividades na Escola de Direito da Universidade Harvard e o papel de sua mulher e filhas, receberam muito mais ênfase.
Mas a verdade é que a semana não foi boa para Obama.
Seu 50º aniversário vem logo depois de um acordo de último minuto no Congresso para elevar o limite da dívida federal norte-americana, ou seja, o montante máximo de dívida que o governo pode acumular para pagar suas contas.
Mas o acordo surgiu à custa de grandes cortes futuros no deficit e sem aumento concomitante de impostos, e veio com a criação de uma comissão legislativa, formada por membros da Câmara e do Senado, que recomendará novos cortes de gastos antes do final deste ano, que terão de ser votados sem emendas.
Quase todos os pré-candidatos republicanos à Presidência norte-americana se opuseram ao acordo. Mesmo os democratas que votaram a favor acreditam que representa grande derrota para Obama.
Na verdade, o acordo foi uma vitória para os membros da direita mais extrema do movimento Tea Party, que se mostraram completamente indispostos a aceitar compromissos. Não é o mais feliz dos aniversários para Obama.


KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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