segunda-feira, 4 de julho de 2011

Domínio do Walmart nos EUA é polêmico

Rede tem participação de mercado similar à que teria a empresa resultante da fusão Pão de Açúcar-Carrefour

Empresa, a 15ª em lucro no mundo, é criticada por salários baixos e pela pressão que exerce sobre os fornecedores


Evan Vucci - 21.jun.2011/Associated Press
Mulheres protestam em Washington contra a Suprema Corte dos EUA, que decidiu em favor do Walmart, impedindo ação coletiva de funcionárias

ÁLVARO FAGUNDES
DE NOVA YORK

O Walmart tem hoje um domínio do mercado norte-americano que é semelhante ao que o negócio entre Carrefour e Pão de Açúcar pode obter no Brasil.
Mas essa posição não foi alcançada sem criar controvérsias com fornecedores, funcionários e cidades.
O Walmart é criticado nos Estados Unidos pelos baixos salários que paga aos funcionários em geral, o que faz com que a troca de empregados seja frequente e torna difícil a criação de um sindicato forte.
"Eu pago salários baixos e posso tirar vantagem disso", disse certa vez o fundador da rede, Sam Walton (1918-1992).
A polêmica mais recente envolve uma ação na Justiça dos Estados Unidos em que funcionárias afirmam que gerentes das lojas favorecem homens na hora da promoção e de aumentos salariais.
Segundo a reclamação, as funcionárias não só ganham menos que os homens como também ocupam apenas um terço das posições de gerência, apesar de serem maioria nas lojas.
No final do mês passado, no entanto, a Suprema Corte norte-americana decidiu que o caso, iniciado por seis funcionárias, não pode ser enquadrado como ação coletiva, o que significaria que ele poderia abranger 1,5 milhão de atuais e ex-empregadas.
Agora, cada funcionária tem que entrar na Justiça individualmente, o que diminui o potencial de perdas para o Walmart.
Antes da decisão da Suprema Corte, por cinco votos a quatro, a expectativa era a de que um acordo custaria mais de US$ 1 bilhão à empresa, uma conta salgada mesmo para um grupo que lucrou US$ 16,4 bilhões em 2010.
O Walmart foi a 15ª companhia que mais ganhou no mundo, atrás de Petrobras e Vale, por exemplo.

FORNECEDORES
Não é só com funcionários que o Walmart é alvo de polêmicas. Aproveitando seu tamanho, ele também disputa queda de braço com seus fornecedores.
Em 2003, ele deixou, por exemplo, de vender revistas masculinas como "Maxim" e "FHM", alegando que consumidores criticavam as fotos das capas das publicações.
Outras revistas são obrigadas a usar uma tarja para que possam continuar a ser comercializadas nos Estados Unidos.
Concorrentes também reclamam que a política de custos baixos adotada pela rede de supermercados acaba destruindo a competição.

CIDADES
Mesmo sendo não só a principal rede de supermercados mas também o maior empregador privado dos Estados Unidos, o Walmart está fora de grandes cidades como Nova York.
No caso de Nova York, a empresa está investindo novamente para que os vereadores aprovem sua entrada. No entanto, a empresa enfrenta forte oposição de sindicatos e da concorrência.
Para os rivais, a entrada do Walmart, com seu modelo de negócios, pode significar o fechamento de lojas de diversas redes em cidades em que os mercados têm tamanhos mais modestos.
Os trabalhadores reclamam dos baixos salários e dos benefícios concedidos pela empresa, mas as críticas não têm a mesma força que nas vezes anteriores que o Walmart quis entrar na cidade, porque o desemprego hoje nos EUA está acima de 9%.
Por isso mesmo, outras cidades que adotavam a mesma política cederam recentemente e autorizaram a expansão da rede, caso da cidade de Chicago.

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