terça-feira, 19 de julho de 2011

Beneficiada pelo sistema, China teme colapso do dólar e fim do seu status quo

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

Na linguagem diplomática, quando um dirigente cobra "responsabilidade" de outros países está querendo dizer: não toquem nos meus interesses.
A palavra, que costumava ser dirigida por americanos e europeus a países menos poderosos, foi usada na semana passada por um porta-voz chinês. Ele pedia que a novela do aumento do teto da dívida dos EUA não acabe na queda livre do valor dos títulos do Tesouro que estão nas mãos de Pequim.
A inversão de papeis nesse caso foi previsível, dado que a China e outros emergentes são agora responsáveis pela maior parcela do crescimento mundial.
Mas ela evidencia também que, longe de uma virada de mesa, os chineses têm interesse na estabilidade global, condição para manter sua trajetória ascendente.
"A China não quer alcançar alguma coisa, quer evitar coisas ruins. Somos potência do status quo", disse Jin Canrong, da Universidade do Povo de Pequim, em recente seminário no Rio.
Desde que reatou com Washington, nos anos 70, Pequim foi beneficiada pela ordem internacional liderada pelos americanos.
Suas exportações explodiram com o ingresso na Organização Mundial do Comércio e com a bolha de crédito que levou os EUA a importar mais para conter a inflação.
A China é hoje a segunda economia mundial, mas sua renda per capita não chega a um décimo da americana.
Já questionou o domínio do dólar como moeda de reserva, mas não lhe interessa abrir mão do controle de capitais para que seja substituído por um yuan conversível.
A China quer acomodar o sistema a seu novo tamanho. Um colapso abrupto obrigaria seus líderes a trocar os planos de longo prazo pela emergência, o que detestam fazer.

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