sábado, 4 de junho de 2011

Suspense peruano

Editoriais
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Quem quer que vença a eleição em segundo turno de amanhã no Peru, Keiko Fujimori ou Ollanta Humala, o Brasil deve preparar-se para um clima menos amistoso nas relações com o vizinho.
A calmaria que reinou nos últimos anos, quando os investimentos internacionais multiplicaram-se na esteira do "milagre peruano", não deve durar muito. Tanto Keiko, a candidata mais conservadora, quanto o populista Humala tiveram como bandeiras de campanha a promessa de colocar limites à atuação de empresas brasileiras em seu país.
Estão em jogo investimentos estimados em até US$ 5 bilhões, com possibilidade de tal valor ser triplicado nos próximos anos. Os dois finalistas já prometeram rever licenças ambientais e demandar consultas às populações indígenas para levar adiante obras de hidrelétricas na selva peruana.
Ao longo dos últimos meses, Keiko e Humala esforçaram-se por afastar a imagem de radicais. Ambos migraram para o centro do espectro político, ou assim tentaram fazer parecer.
Eleita deputada em 2006, a filha de Alberto Fujimori usou quase todo o discurso da vitória para agradecer ao "papi", como referiu-se carinhosamente ao ex-presidente, atualmente preso por corrupção. Agora, Keiko luta para livrar-se do estigma de mero fantoche do fujimorismo.
Humala, líder de uma rebelião militar de 2000 e candidato com apoio escancarado do venezuelano Hugo Chávez em 2006, quando perdeu por pouco a disputa presidencial, busca apresentar-se como confiável. Sua "Carta ao Povo Peruano", dirigida ao mercado financeiro e a investidores com promessas de respeito a contratos, tem evidente inspiração lulista.
A diferença entre os oponentes nas pesquisas de intenção de voto, ainda dentro das margens de erro, além do ambiente polarizado da reta final, dificultam prever qual dos dois será eleito.
Não se pode excluir nem mesmo que as promessas de moderação venham a desvanecer depois do resultado das urnas.

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