sábado, 11 de junho de 2011

Suspeito de vazar dados evita prisão

Ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA, Thomas Drake fechou ontem acordo na Justiça

Drake teria vazado informações para um jornal; caso é derrota na estratégia do presidente Obama anti-vazadores

ÁLVARO FAGUNDES
DE NOVA YORK

Um ex-alto funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) suspeito de vazar informações confidenciais do órgão para um jornal fechou um acordo na Justiça que o livrou das acusações que poderiam levá-lo a passar 35 anos na prisão.
Thomas Drake, 54, se declarou culpado de uma única acusação ("exceder o uso autorizado de computador"), o que poderia dar um ano de cadeia. Mas, pelo acordo, os promotores não devem pedir a sua prisão. Ele responde ao processo em liberdade.
O acordo foi fechado porque o juiz decidiu que os esforços do governo americano para proteger dados confidenciais estavam prejudicando a defesa de Drake. Com isso, os promotores decidiram não usar o material, enfraquecendo a acusação.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a divulgação desses documentos poderia prejudicar a segurança nacional.
Originalmente, ele era acusado de posse ilegal de documentos da Defesa nacional, obstrução da Justiça e de perjúrio, após supostamente ter levado para casa dados confidenciais com a intenção de entregá-los para uma repórter do jornal "Baltimore Sun".
Drake já disse que entregou documentos para a jornalista, mas que nenhum deles era confidencial.
Segundo o "Washington Post", Drake, que trabalhou na NSA de 2001 até 2008, estava preocupado, entre outras coisas, com os esforços da agência em coletar e-mails e ligações telefônicas sem autorização judicial.
A decisão é considerada uma derrota para o governo de Barack Obama em sua luta para impedir a divulgação de material confidencial.
O processo contra Drake é um dos cinco que a administração Barack Obama move contra funcionários de órgãos do governo por vazamentos de informações.
O mais importante deles é o do soldado Bradley Manning, suspeito de ter vazado documentos para o site WikiLeaks.

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