segunda-feira, 13 de junho de 2011

Na China, dificuldade do governo é desaquecimento da economia


FABIANO MAISONNAVE

DE PEQUIM

Com o combate à inflação no topo da lista de prioridades, a China tenta desaquecer a economia para descer ao menos um degrau do patamar de crescimento anual de 10% ao longo das últimas décadas, ritmo visto como insustentável por analistas e pelo governo a médio prazo.
O chamado "pouso suave" não é fácil. As importações de maio cresceram 28,4% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. É um índice superior ao de abril (21,8%) e às previsões de mercado (22%, no caso da agência Dow Jones).
Mesmo em índices que tiveram baixa, como o de produção industrial, a desaceleração foi abaixo do esperado.
Um desafio é esfriar o investimento do setor público e reequilibrar a participação do consumo doméstico, que caiu de 50% do PIB, nos anos 80, para 33,8% em 2010.
O enorme esforço chinês foi responsável pela criação da invejável infraestrutura do país. Mas o desequilíbrio entre investimento e consumo tem causado aumento da capacidade ociosa do setor industrial (grande parte estatal), além de elevar o endividamento de governos locais.
"A economia não poderá ser esfriada sem a implantação de um método efetivo de controlar o investimento", afirma Xu Hongcai, do Centro Chinês para Intercâmbios Econômicos Internacionais.
Um melhor equilíbrio do crescimento chinês é um dos objetivos do novo Plano Quinquenal (2011-5), que prevê estímulos ao consumo e um crescimento mais baixo, em torno de 7% anuais.
"A transição é uma tarefa de longo prazo. O esfriamento da economia é uma tendência", diz Li Zhibin, analista do Citibank na China.
Não será neste ano: o PIB deve crescer em torno de 9,5%, contra 10,3% em 2010.
O desempenho da China tem imensa repercussão em países que, como o Brasil, têm na China o seu principal cliente. Os números de maio mostram que a demanda pelos principais produtos brasileiros para a China continua alta: o volume de minério de ferro importado cresceu 2,7%, em comparação com o mesmo mês de 2010.

Folha de São Paulo, 13/06/2011

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