quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cristina anuncia candidatura à reeleição


Presidente argentina encerra suspense e diz que se lança candidata em homenagem ao marido, Néstor, morto em 2010


Durante seu mandato, a líder comprou briga com produtores rurais e com grandes grupos de comunicação social

LUCAS FERRAZ
DE BUENOS AIRES

Após alimentar dúvidas sobre seu futuro político, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, 58, anunciou ontem que será candidata à reeleição em outubro.
Ao apresentar na Casa Rosada o programa "LCD para Todos", que vai oferecer à população facilidades para comprar TV de tela plana, a mandatária confirmou que será candidata.
"Vou me submeter uma vez mais", declarou a presidente durante o evento.
"Soube o que deveria fazer em 28 de outubro [data do funeral de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner], quando as pessoas gritavam 'força, Cristina!'. Meu compromisso é irrevogável. Espero ser uma ponte entre as novas e as velhas gerações, essa deve ser minha função", afirmou.
Havia grande expectativa no país sobre o que iria decidir a presidente. No sábado termina o prazo da Justiça eleitoral para o registro dos candidatos que vão disputar a eleição presidencial, cujo primeiro turno será em 23 de outubro.
Cristina, até o fim de semana, terá que escolher o vice que vai compor sua chapa.
Nas últimas semanas, a presidente deu declarações em que demonstrava dúvida se tentaria novo mandato.
Ela disse que não aceitaria pressões e inclusive chegou a fazer referências à fragilidade de sua saúde.
Eleita em 2007, após uma surpreendente decisão de Néstor de não tentar a reeleição, Cristina seguiu a cartilha do ex-marido.
Enfrentou logo nos primeiros meses de governo um duro embate contra produtores agropecuários, que levou a um racha com o seu vice, Julio Cobos, que preside o Senado.
O episódio foi o estopim para a guerra hoje declarada entre a Casa Rosada e a imprensa, considerada inimiga.
Desde então, o governo impulsionou uma série de medidas contra a imprensa, como uma lei contra o monopólio da mídia que afetou diretamente o Grupo Clarín, maior conglomerado de comunicação da Argentina -antes aliado dos Kirchner.

Folha de São Paulo, 22/06/2011

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