quinta-feira, 16 de junho de 2011

Crise da dívida e violência ameaçam governo grego

Primeiro-ministro sinaliza renúncia e pede confiança do povo em coalizão
Oposição exige negociar com FMI e europeus o novo pacote de socorro à Grécia e pede a saída de George Papandreou

Thanassis Stavrakis/Associated Press
Manifestante enfrenta a polícia em frente ao Parlamento

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Diante de intensos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas de Atenas contra as medidas anticrise, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, anunciou que formará um novo governo e sinalizou que pode renunciar.
Se isso ocorrer, será o terceiro governo a cair em razão da crise da dívida europeia, após Irlanda e Portugal.
Em pronunciamento na TV, Papandreou pediu que a população confie no grupo governista no Parlamento.
O anúncio foi feito depois que negociações para que a oposição se juntasse à coalizão governista falharam.
A oposição exigiu que o primeiro-ministro renunciasse. Outra demanda era negociar diretamente com o FMI e a UE (União Europeia) novo pacote de socorro financeiro.
O FMI e a UE ameaçam não liberar a quinta parcela do socorro ao país na próxima semana, no valor de € 12 bilhões (R$ 27 bilhões).
Anteontem, ministros de Finanças europeus se reuniram para discutir a crise, mas não chegaram a um acordo.
Fontes do governo chegaram a dizer ontem que Papandreou aceitaria deixar o poder, abrindo caminho para um acordo político.
O "Financial Times" citou Lucas Papademos, ex-presidente do banco central grego, como um possível nome para suceder Papandreou. Ele seria uma alternativa técnica para chefiar o governo.

CONFIANÇA
Depois do discurso do primeiro-ministro, não ficou claro se ele vai deixar o cargo. Ele disse apenas que a nova configuração será feita com os partidos da situação.
"Amanhã [hoje] eu vou formar um novo governo, e depois eu vou pedir um voto de confiança", afirmou. "Vou continuar no mesmo rumo. Esse caminho é a nossa obrigação, com o grupo parlamentar do Pasok [partido governista], seus integrantes e o povo grego".
Em resposta à situação grega, a Bolsa de Londres caiu 1%, e a de Paris, 1,5%. As Bolsas americanas tiveram desempenho semelhante.
Colada ao cenário externo, a Bovespa recuou 0,97%.
Nas ruas de Atenas, um dos principais alvos dos protestos foi o Ministério das Finanças, que discute o novo pacote de ajuda financeira.
Jovens lançaram "bombas de gasolina" contra o ministério, e houve confrontos intensos com policiais. Focos de incêndio foram vistos.
O Parlamento também foi alvo de manifestantes, que, além de pedras, atiraram iogurte ""um produto típico da gastronomia grega.

Folha de São Paulo, 16/06/2011

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