domingo, 19 de junho de 2011

Bolívia diz que os países vizinhos terão benefício

Governo afirma que irá consultar cadastros criminais e devolver carros roubados

Legalização de veículos irregulares tem objetivo de evitar evasão fiscal, segundo afirma cônsul boliviano em Corumbá

DO ENVIADO A PUERTO SUAREZ

O cônsul da Bolívia em Corumbá (MS), Juan Carlos Mérida Romero, afirma que os carros inscritos no programa de regularização do governo boliviano só receberão registros definitivos após "ampla consulta" aos cadastros criminais dos países vizinhos.
"São muitas restrições, que incluem queixa por roubo, golpe do seguro e adulteração no chassi, por exemplo. Todos os carros que não cumprirem com o exigido serão retirados de circulação ou devolvidos aos seus países de origem", afirma Romero.
O objetivo do programa de regularização, segundo ele, é "enquadrar todos os que hoje não pagam impostos".
Romero diz que "pode haver inescrupulosos que pretendam legalizar carros levados de forma criminosa à Bolívia, mas não terão sucesso."
O atual sistema de identificação dos carros bolivianos é confuso e não integrado nacionalmente. A maior parte dos carros que transita na região da fronteira usa placas provisórias, fornecidas pelas prefeituras locais e que não valem no restante do país.
"Com a unificação, vamos seguir a via da legalidade e ter uma placa nacional. Ao contrário do que muitos temem, isso vai ajudar a reduzir a entrada de carros roubados nos países vizinhos", diz.
Além de carros roubados, o governo afirma que pretende limitar o ingresso de carros usados japoneses, que chegam em navios ao porto de Iquique (Chile) e são muito valorizados na Bolívia, embora sejam considerados sucata no Japão.
No lado boliviano, a legalização é o assunto do momento. Nas lan houses de Puerto Quijarro, cartazes oferecem serviços de preenchimento do formulário eletrônico, primeira etapa do processo de registro definitivo.
Na vizinha Puerto Suarez, um idoso boliviano diz que não pretende regularizar seu Uno Mille, trazido do Brasil ilegalmente. O carro, que não tem as duas rodas dianteiras e o motor, não se encaixa nos critérios da nova lei. "Não tem problema. Vou desmontar tudo e vender as peças."
Morador de Puerto Quijarro, o boliviano Davi Céspedes, 27, é gerente financeiro de uma distribuidora de bebidas em Corumbá e já se cadastrou para regularizar seu Agile, fabricado pela GM argentina e comprado há seis meses sem atender os trâmites legais.
Segundo ele, a compra foi regular e o carro não tem restrições, mas está registrado com uma placa provisória.
"O programa vai regularizar as importações. As taxas são elevadas, mas creio que valerá a pena, pois a placa nacional vai permitir que eu viaje para todo o país usando o meu carro", afirma ele.
Folha de São Paulo, 19/06/2011

Um comentário:

Anônimo disse...

Só neste sábado foram roubados 3 carros brasileiros que trafegavam em Puerto Suarez. Ou seja: a lei do Morales está acelerando o roubo de carros. E a polícia boliviana diz que nada, como nunca fez, pode fazer. E aí sr. Consul?