quinta-feira, 19 de maio de 2011

Turbulência no Oriente Médio reduziu Obama a papel de espectador perplexo

ANÁLISE

SIMON TISDALL
DO "GUARDIAN"

Barack Obama é bom de discurso. Ele comprovou no Cairo em 2009, quando tentou fazer um gesto de conciliação pós-Iraque em direção ao mundo muçulmano.
Mas seu discurso de hoje, no qual vai tentar formular uma visão americana coerente da Primavera Árabe, além dos problemas em curso na Palestina e no Irã, parece ser uma missão impossível, mesmo para um homem com seus dons intelectuais e de oratória.
Longe de estar vivendo uma situação mais pacífica que a de dois anos atrás, o Oriente Médio está passando por levantes turbulentos que reduziram Obama, em grande medida, ao papel de espectador perplexo.
Quanto a Israel-Palestina, a campanha de paz de Obama atolou na areia. Em dois anos de queda de braço com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, ele vem levando a pior.
Netanyahu viaja a Washington esta semana. Vai discursar que o recente acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas torna impossível negociar (pois metade da liderança conjunta apregoa a destruição de Israel).
Enquanto isso, desafiando Obama, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, está intensificando a campanha pelo reconhecimento pela Assembleia Geral da ONU de um Estado independente e soberano dentro das fronteiras de 1967 (Cisjordânia e Gaza) -uma iniciativa que pode provocar meses de confrontos com Israel.
O que fazer, então? Funcionários da Casa Branca sugerem que Obama vai expressar apoio aos movimentos pró-democracia árabes de maneira geral, mas seguir uma abordagem pragmática.
Isso sem envolvimento americano direto, analisando cada caso individualmente, em lugar de procurar apresentar uma nova estratégia abrangente.
Se o tratamento dado por Obama à Primavera Árabe parece destinado a decepcionar muitos na região, sua aparente falta de novas ideias sobre Israel-Palestina pode ser visto como nada menos que provocante, especialmente por aqueles que gostariam que ele pressionasse Netanyahu.
Outros agora estão exortando os EUA e Israel a cerrar fileiras, argumentando que a instabilidade árabe em curso, a debilidade da Europa e as alianças cada vez mais tensas com o Egito e outros países significam que EUA e Israel vão precisar um do outro mais que nunca.


Tradução de CLARA ALLAIN

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