sábado, 21 de maio de 2011

Retaliação não afeta elo com Argentina

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência, diz que "minirretaliação" não tem impacto estratégico

Segundo ele, disputa comercial entre os dois sócios do Mercosul está sendo tratada de forma técnica, e não política


PATRÍCIA CAMPOS MELLO
ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA

O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, admite que o Brasil fez uma "minirretaliação" contra a Argentina ao impor licenças não automáticas contra importação de carros.
Mas ele diz que foi uma decisão técnica e que a longo prazo interessa ao Brasil estimular a industrialização da Argentina -do mesmo modo que é do interesse brasileiro deixar os paraguaios satisfeitos com o preço pago pela energia de Itaipu.
"Houve uma minirretaliação, mas não tem nenhum alcance estratégico; os produtores brasileiros só têm ganhado com a Argentina", disse Garcia à Folha.



Folha - A decisão do Brasil de impor licenças não automáticas sobre carros, que afeta majoritariamente a Argentina, pode azedar a relação entre os dois países?
Marco Aurélio Garcia -
Não. E não é verdade que a presidente [Dilma Rousseff] esteja irritada, ela deixou que essa questão seja tratada em nível ministerial, técnico.

Com as licenças, o governo estaria endurecendo com a Argentina, finalmente?
De maneira nenhuma. Houve uma minirretaliação, mas não tem nenhum alcance estratégico. Evidentemente, não estávamos gostando que esse mecanismo de licenças não automáticas estivesse incidindo sobre os produtos brasileiros.
Mas globalmente os produtores brasileiros só têm ganhado com a Argentina. Há um esforço por parte do governo argentino para reindustrialização e isso interessa ao Brasil.
É mais ou menos o que ocorreu com o Paraguai com a decisão do Congresso sobre o tratado [que triplicou o valor pago pelo Brasil pela energia de Itaipu]. O que interessa continuar pagando o mesmo valor e ter relação envenenada com o Paraguai?

O acordo de integração no Pacífico, entre Colômbia, México, Peru e Chile, nos afeta?
Não nos afeta em nada. Nós fizemos uma proposta para a Colômbia entrar no Mercosul. Eles terão de ver o que é mais útil. Critica-se tanto essa história de natureza ideológica, então tem que ver se os colombianos vão se mover por ideologia, ou por ganhos reais.
O principal sócio comercial da Colômbia é a Venezuela, e espero que os problemas do ingresso da Venezuela no Mercosul sejam resolvidos em breve. Eu conversei com outros presidentes. O Chávez, por exemplo, está encantado com a Colômbia no Mercosul.

Como o senhor vê a visita do presidente Obama ao Brasil?
A viagem teve efeito simbólico importante. Mas persistem alguns problemas, como o protecionismo, e gostaríamos de ter recebido uma manifestação do ponto de vista político mais calorosa.

Mas a China também não deu apoio explícito à ambição do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
A China nos deu uma boa declaração.

Como o senhor vê os resultados da visita da presidente Dilma à China?
Conseguimos propor um modelo de relacionamento diferente do que a China tem com outros países. Teremos investimento.

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