quarta-feira, 25 de maio de 2011

EUA impõem sanção a petroleira venezuelana

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

Numa advertência ao governo Hugo Chávez, os EUA anunciaram ontem sanções contra a petroleira estatal venezuelana PDVSA por fazer negócios com o Irã violando restrições impostas por Washington no ano passado.
As medidas teriam impacto mínimo sobre as atividades da estatal, segundo analistas. Tampouco atingem as refinarias da Citgo, subsidiária com sede nos EUA.
Para Washington, a PDVSA infringiu regras que dificultam o acesso do Irã a combustíveis refinados ao vender US$ 50 milhões de um produto para melhorar a qualidade da gasolina.
A Chancelaria venezuelana "repudiou" de "maneira contundente" o que chamou de "agressão imperial".
O presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, afirmou que a reação será informada em alguns dias e ratificou a independência da indústria petroleira venezuelana. "Não podemos reagir de maneira espasmódica como eles."
A suavidade das sanções -e a prudência de Caracas em não anunciar represália imediata- se explica pela dependência mútua de EUA e Venezuela em matéria de petróleo, apesar do enfrentamento diplomático.
A PDVSA destina 45% da produção ao mercado americano, do qual é a quinta maior fornecedora (responsável por 10% da demanda).
O anúncio de Washington já foi suficiente, porém, para deflagrar forte reação política. Chávez, em repouso por uma lesão no joelho, reclamou pelo site Twitter e ordenou que o chanceler falasse em cadeia de rádio e TV.
Na Assembleia Nacional, dominada pelo chavismo, os deputados aprovaram uma moção de repúdio.
Para a consultoria americana Eurasia Group, o anúncio deve dar gás à oposição americana, que cobra rigor contra a aliança Teerã-Caracas. "Veremos se Chávez está disposto a moderar as relações com Teerã para evitar outras sanções", disse à Folha a analista do Eurasia Group Risa Grais-Targow.
Outras seis firmas estrangeiras menores também foram sancionadas pelos EUA.

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