segunda-feira, 23 de maio de 2011

Comerciante diz ter certeza de que filha foi levada para os EUA

DO ENVIADO À PROVÍNCIA DE HUNAN

Em 2000, já pai de duas meninas, o comerciante Zeng Youdong, 40, sabia que, pela lei chinesa, não podia mais ter filhos. Mas a vontade de ter um menino foi mais forte, e a mulher, Yuan Zanhua, engravidou novamente. No final daquele ano, nasceram duas gêmeas.
Para minimizar o risco de punição, Zeng levou uma das filhas para ser criada pela família do cunhado, tática comum para esconder crianças da Política do Filho Único.
Não deu certo. No começo de 2002, quando a criança tinha pouco mais de um ano, agentes do Comitê de Planejamento Familiar a identificaram como filha de Zeng.
"Fui no dia seguinte pagar a multa, mas os valores foram mudando", conta Zeng. "Primeiro, disseram 3.000 yuans (R$ 750), eu paguei. Em seguida, disseram 5.000 yuans (R$ 1.250), e eu também paguei. Depois, disseram que eram 10 mil yuans (R$ 2.500). Aí não tinha mais dinheiro e fui forçado a assinar o documento."
A história é semelhante à do agricultor Yuan Chofu, 64, cuja sobrinha de nove meses foi levada em 2004. "O comitê aumentou o preço até que meu irmão e eu não pudemos pagar", relatou.
Zeng, um comerciante de camas e roupas, diz que nunca parou de investigar o destino da criança. Em 2009, ele conheceu uma jornalista do "Los Angeles Times", que escreveu sobre sua história e o estaria ajudando a encontrar a filha. "Ela está nos EUA."
A entrevista com Zeng, feita na sala de sua casa de alvenaria na vila rural Gaofeng, foi acompanhada pelo chefe da vila e por um funcionário da Prefeitura de Shaoyang, a cidade mais próxima.
Após a descrição da multa, o chefe da vila chamou um intérprete da reportagem para conversar fora da sala. Mais tarde, o intérprete afirmou que o chefe havia dito a ele que parasse de traduzir, porque "a história era vergonhosa para Shaoyang". (FM)

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