terça-feira, 24 de maio de 2011

Chile exuma pela 2ª vez corpo de Salvador Allende

Objetivo é descobrir se o ex-presidente, cercado, foi morto ou se suicidou

A versão mais popular indica que o político usou o fuzil AK-47 para se matar com um tiro na cabeça no golpe de 1973

LUCAS FERRAZ
DE BUENOS AIRES

Pela segunda vez em quase 40 anos, o corpo do ex-presidente chileno Salvador Allende foi exumado e será submetido a uma análise.
O objetivo é colocar um ponto final na dúvida: ele se matou ou foi assassinado pelos golpistas que o depuseram em setembro de 1973?
Segundo a versão mais conhecida, Allende suicidou-se com um tiro na cabeça disparado por um fuzil AK-47 que ele havia ganhado de presente de Fidel Castro.
Sua morte ocorreu após ataque e invasão do Palácio La Moneda, sede do governo, por homens liderados pelo general Augusto Pinochet.
Essa versão é defendida pela família do ex-presidente e pelos médicos Patricio Guijón e José Quiroga, colaboradores que presenciaram o golpe dentro do palácio.
Mas, como a versão é contestada, a Justiça do Chile abriu uma investigação para oficializar como morreu o primeiro presidente socialista eleito democraticamente na América Latina.
Uma das hipóteses é de que Allende foi assassinado pelos aliados de Pinochet. Em 2008, o analista forense Luis Ravanal divulgou uma análise supostamente feita no dia do golpe que detecta, no crânio do cadáver, dois impactos de armas de diferentes calibres.
O historiador chileno Camilo Taufic diz que o político tentou se matar com uma pistola. Como ficou ferido, o assassinato foi consumado por membros da guarda pessoal por um "ato de solidariedade humana e política".
O corpo de Allende foi retirado ontem do mausoléu da família, em Santiago, com honras de Estado.
O ataúde foi coberto por uma bandeira do Chile, e umas 30 pessoas acompanharam o traslado até o Instituto Médico Legal. Não há prazo para sair o resultado da análise.
Foi a segunda exumação dos restos do ex-presidente. Em 1990, o corpo passou por uma análise ao ser levado de um cemitério de Viña del Mar, onde fora enterrado em 12 de setembro de 1973, para a sepultura na capital.
O advogado Eduardo Contreras, responsável por solicitar a exumação, diz que é preciso investigar ainda as mortes do ex-presidente Eduardo Frei (em 1982) e do poeta Pablo Neruda (falecido dias depois do golpe, em setembro de 1973).
Segundo o advogado, existem indícios de que Frei e Neruda foram assassinados pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-90).
Folha de São Paulo, 24/05/2011

Nenhum comentário: