quarta-feira, 25 de maio de 2011

As omissões de Abbas

TENDÊNCIAS/DEBATES


SALOMÃO SCHVARTZMAN e ZEVI GHIVELDER



Faltou Abbas dizer que, exatamente na mesma época, 50 mil judeus foram expulsos do Iêmen, tendo encontrado refúgio no Estado de Israel

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, escreveu no dia 16 de maio um artigo para o jornal "New York Times" no qual diz que há 63 anos um menino árabe que morava na cidade de Safed foi expulso de sua casa, junto com a família, que encontrou refúgio em tendas armadas na Síria.
Desde então, lamenta, o menino nunca mais pôde voltar para casa porque lhe foi "negado o mais básico dos direitos humanos". E termina assim o parágrafo inicial: "Esta história, assim como a de muitos outros palestinos, é a minha".
Faltou Abbas dizer que, exatamente na mesma época, 50 mil judeus foram expulsos de suas casas no Iêmen, tendo encontrado refúgio, também em tendas improvisadas, no nascente Estado de Israel. O articulista omite tudo o que diz respeito à expulsão dos judeus de todos os países árabes, algo em torno de 1 milhão de pessoas.
O texto de Abbas confirma que os palestinos irão às Nações Unidas em setembro, onde pedirão reconhecimento internacional para seu futuro Estado e também solicitarão assento em sua Assembleia Geral.
Contudo, essa pretensão não embute um verdadeiro desejo de paz.
Abbas diz com todas as letras que a admissão dos palestinos na ONU abre caminho para a internacionalização do conflito e também para representações contra Israel na Corte Internacional de Justiça.
Ele escreve, ainda, que a última vez que a questão do Estado palestino esteve em pauta na ONU foi em 1947, quando foi decidida a partilha da Palestina em dois países: um árabe, o outro judeu.
O parágrafo seguinte é um primor de distorção histórica: "Logo depois, as forças sionistas expulsaram os árabes palestinos para garantir uma futura maioria judaica no futuro Estado de Israel, e os exércitos árabes intervieram".
Em primeiro lugar, o território que a ONU destinou aos judeus já continha maciça maioria judaica.
Em segundo lugar, o verbo "intervieram" é grosseiro eufemismo para a invasão armada que ocorreu, tendo Israel sido atacado por seis exércitos árabes, contra os quais foi vitorioso em todas as frentes.
Prossegue Abbas: "Guerra e outras expulsões se seguiram". Guerra por quê? Porque o Egito, a Síria e a Jordânia atacaram Israel e foram derrotados na Guerra dos Seis Dias, dando origem à ocupação da margem ocidental do Jordão que até hoje persiste. Acontece, porém, que ali não existia um Estado palestino.
Seus habitantes eram súditos do rei Hussein, da Jordânia.
Guerra por quê? Porque o Egito e a Síria tornaram a atacar Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973.
Abbas argumenta que a admissão dos palestinos na ONU abrirá o caminho para obter paz com Israel.
Entretanto, nas dezenas de negociações que já manteve com os palestinos, Israel jamais colocou tal admissão como um pré-requisito para dar fim ao conflito.
No final, Abbas se refere à necessidade de uma solução justa para os refugiados palestinos. Isso disfarça a pretensão de que Israel absorva 450 mil palestinos, um carimbado absurdo em matéria de realidade política.


SALOMÃO SCHVARTZMAN, jornalista e sociólogo, é colunista da rádio BandNews FM e produtor de "Salomão Dois Pontos", da BandNews TV. Foi diretor da Sucursal Paulista da revista "Manchete".
ZEVI GHIVELDER, escritor e jornalista, foi diretor do grupo Manchete e diretor dos telejornais da extinta Rede Manchete de Televisão. É autor do romance "As Seis Pontas da Estrela" e do livro de reportagens "Missões em Israel".

Nenhum comentário: