sexta-feira, 15 de abril de 2011

Reservas da China batem a marca de US$ 3 tri

Para manter o yuan desvalorizado, país acumula moeda estrangeira

Maior parte do dinheiro ajuda no financiamento do deficit público dos Estados Unidos, que criticam câmbio chinês


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O controle sobre a cotação de sua moeda, o yuan, levou a China a atingir a marca de US$ 3 trilhões de reservas internacionais em março.
O valor é de longe a maior reserva em moeda estrangeira nas mãos de um país.
A segunda maior reserva internacional é a do Japão, de US$ 1 trilhão.
O Brasil aparece em quarto lugar nesse ranking de maiores detentores de moeda estrangeira, com pouco mais de US$ 300 bilhões.
Para garantir que o yuan se mantenha desvalorizado, a China compra o excesso de dólares no mercado, vindo do lucro dos exportadores chineses e dos investimentos estrangeiros. Esse dinheiro compõe as reservas em moeda estrangeira do país.
A estratégia cambial chinesa é alvo de críticas internacionais, lideradas pelos Estados Unidos, porque garante que as exportações do gigante asiático sejam mais competitivas.
Por outro lado, a maior parte do dinheiro acumulado pela China em dólares é investido nos títulos da dívida dos Estados Unidos, financiando o deficit público americano.
Segundo o Banco Central da China, o volume de reserva internacional cresceu 24,4% no último ano. Mostra que a China vem descumprindo o compromisso assumido em junho do ano passado de dar alguma flexibilidade ao yuan. Desde junho, a cotação do yuan subiu 4,5%.
A marca dos US$ 3 trilhões de reservas dará munição para que os países do G20, na reunião de hoje em Washington, elevem o tom das críticas sobre a China.
Analistas acreditam que o país asiático possa deixar a moeda se valorizar um pouco para tentar controlar a inflação, que chegou a 5,4% em um ano até março. Até fevereiro, a inflação chinesa estava acumulada em 4,9%.
Se a cotação do yuan subir, as importações de petróleo e alimentos ficarão mais baratas, aliviando a inflação.
Autoridades chinesas descartam, porém, uma valorização rápida, sob o argumento de que iria prejudicar as empresas e custar empregos.
Folha de São Paulo, 15/04/2011

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