quarta-feira, 20 de abril de 2011

Opção pela velha guarda indica aversão de Raúl por correr riscos

DA ENVIADA A HAVANA

A escolha de Ramón Machado Ventura, 80, como o novo número 2 do Partido Comunista de Cuba sinaliza que o ditador Raúl Castro preferiu não correr riscos.
"Não é nenhuma surpresa", disse Raúl, ao anunciar o nome de Ventura, um veterano da guerrilha, médico de formação e um dos primeiros ministros da Saúde do regime instalado em 1959.
O novo segundo-secretário do Partido Comunista tem ainda outra característica valorizada: relativa desenvoltura para viagens internacionais às quais Raúl é muito menos afeito que Fidel.
No passado, especulou-se que esse cargo estratégico -é quem substitui o chefe de Estado em caso de morte ou doença- iria para Carlos Lage, então vice-presidente e uma das caras internacionais do regime.
Lage seria expurgado ao lado de outra estrela da nova geração, o ex-chanceler Felipe Pérez Roque, um ano depois -ambos acusados de traição à pátria.
Lá, como agora, ganhou a "aliança entre militares e históricos" que sustenta o governo Raúl, nas palavras do sociólogo cubano Haroldo Dilla, há anos estudioso da elite política cubana.
A idade dos chefes máximos da ilha limita o período deles no poder. Raúl mesmo disse que, "por lei da vida", o congresso encerrado ontem era o último dos quais os históricos participariam.
O ditador também anunciou que se trata de uma espécie de cúpula de transição, já que em janeiro uma conferência do partido terá o poder de renovar mais uma vez os quadros de comando.
No período, as atenções interna e externa devem se voltar para a atuação de Marino Murillo, que ascendeu ao birô, o núcleo duro da legenda, e é o "czar" das reformas econômicas.
O economista de 50 anos foi nomeado como o chefe de uma comissão que deverá cuidar da implementação das mudanças econômicas, como a promoção de produção agrícola privada.
Tem aparecido muito na TV, como "explicador" das novas medidas. (FM)
Folha de São Paulo, 20/04/2011

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