quarta-feira, 20 de abril de 2011

Justiça da Argentina identifica mais cinco vítimas da ditadura

Mortos e desaparecidos no último regime somam quase 30 mil

LUCAS FERRAZ
DE BUENOS AIRES

A Justiça da Argentina anunciou nesta semana a identificação dos restos mortais de outros cinco militantes de esquerda mortos durante a última ditadura militar (1976-83).
Com os novos resultados, chega agora a 444 o número total de corpos identificados entre quase 30 mil mortos e desaparecidos no período, segundo estimativas feitas pelas entidades de direitos humanos.
As análises foram realizadas pela Equipe Argentina de Antropólogos Forenses, que atua na identificação de desaparecidos desde a redemocratização do país. O grupo já esteve no Brasil, empreendendo várias buscas na região onde ocorreu a guerrilha do Araguaia.
"Ainda temos mais de 500 corpos em análise. Ao todo, já fizemos mais de mil exumações", contou à Folha Luis Fondebrider, diretor da Equipe Argentina de Antropologia Forense.
Os cinco corpos agora identificados (quatro mulheres e um homem) foram recuperados em 1984 de um cemitério municipal de San Martín, na região metropolitana de Buenos Aires. À época, todos foram periciados por uma entidade de La Plata, sem êxito.
Em 2006, a Justiça reordenou nova análise em várias ossadas, trabalho que ficou sob a responsabilidade da Equipe Argentina de Antropologia Forense. A análise desses cinco corpos foi concluída no final de março.
De acordo com a perícia, que se somou à investigação judicial, as vítimas foram sequestradas em cidades da grande Buenos Aires em 1976, ano do golpe, e assassinadas por armas de fogo no início de 1977.
Os corpos serão entregues às famílias.
O número de vítimas identificadas até agora -baixo em relação ao total de mortos e desaparecidos- revela a sistemática do terrorismo de Estado que vigorou na Argentina: voos da morte, quando militantes eram jogados vivos de aviões sobre o rio da Prata, além da prática de queimá-los ou enterrá-los em covas coletivas.
Várias foram descobertas nos últimos anos, as duas maiores em Buenos Aires e Córdoba. A maioria dos restos encontrados nessas fossas está em análise.
Folha de São Paulo, 20/04/2011

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