domingo, 17 de abril de 2011

Cuba estuda limitar mandatos políticos

Em congresso do PC, Raúl Castro propõe restringir a dois períodos de cinco anos a permanência em "cargos fundamentais"

Ditador aponta falta de dirigentes jovens no regime cubano e afirma que a renovação deve incluir o próprio posto


Adalberto Roque/France Presse
Marinheiros cubanos fazem marcha pelo 50º aniversário da baía dos Porcos e pelo início do Congresso do Partido Comunista de Cuba em Havana

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A HAVANA (CUBA)

O ditador cubano, Raúl Castro, propôs limitar a dois mandatos de cinco anos o desempenho em "cargos políticos e estatais fundamentais", parte da estratégia de "rejuvenescimento" dos quadros do Partido Comunista.
Raúl, 79, que recebeu o poder em 2008 após 49 anos de comando de seu irmão Fidel, 84, não se excluiu da proposição. Para o mais novo dos irmãos Castro, à diferença das primeiras décadas do regime, agora se pode prescindir da reeleição indefinida.
"Concluímos que é recomendável limitar [os mandatos] a um máximo de dois períodos consecutivos de cinco anos", declarou Raúl na abertura do 6º Congresso do Partido Comunista, a única legenda permitida da ilha.
Ladeado por dirigentes grisalhos, a maioria veterana da guerrilha que venceu a ditadura de Fulgencio Batista em 1959, o ditador afirmou que a falta de dirigentes jovens é um dos desafios à sobrevivência do socialismo.
Disse ainda que a renovação deve começar já -mas "sem precipitações"- e que ela não excluiria seu próprio cargo e o de primeiro-secretário do PC, ocupado até 2006 por Fidel. Novo primeiro-secretário será eleito no congresso em Havana, que acaba depois de amanhã.

REFORMAS
Em mais de duas horas de discurso, Raúl, orador muito menos loquaz que o irmão, deu surpreendente ênfase política ao encontro que deveria se concentrar na discussão de reformas econômicas e sociais da ilha em crise.
O ditador afirmou que a filiação ao partido não deve ser uma condição para ocupar cargos públicos e criticou os que resistem às reformas.
O regime, segundo ele, não aplicará "terapias de choque", mas decidiu acabar, nos próximos cinco anos, com a simbólica caderneta de racionamento, a cota básica de alimentos hispersubsidiados fornecida pelo governo desde os anos 60.
Anunciou para breve novas regras para vendas de imóveis e carros -setores virtualmente congelados.
O conclave do PC começou ontem apoiado no simbolismo dos 50 anos da fracassada invasão da baía dos Porcos por exilados apoiados pelos EUA. A batalha de 1961 ainda divide e comove os cubanos da ilha e os do outro lado do estreito da Flórida.
Folha de São Paulo, 17/04/2011

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