quarta-feira, 2 de março de 2011

Iêmen acusa EUA de fomentar protestos



Manifestantes promovem maiores atos até agora para exigir a saída de Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no cargo

Para o ditador, Obama age como "o presidente do mundo'; país é aliado americano no combate à rede terrorista Al Qaeda


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Acuado pelas maiores manifestações antirregime desde que as revoltas no mundo árabe chegaram ao Iêmen, o ditador Ali Abdullah Saleh se voltou ontem contra os EUA, acusando o aliado de instigar protestos ao lado de Israel.
"Vou revelar um segredo. Há um centro de operações em Israel com objetivo de desestabilizar o mundo árabe, e ele é dirigido pela Casa Branca", disse Saleh em discurso na Universidade de Sanaa.
O ditador ironizou ainda Barack Obama, dizendo que o presidente americano age como se fosse "o presidente do mundo" ao exigir comedimento aos líderes árabes na reação aos protestos.
A acusação foi respondida pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que exortou o líder iemenita a promover reformas políticas em vez de buscar "bodes expiatórios".
A manobra tenta explorar disseminado sentimento antiamericano entre a população, contrária às incursões dos EUA no Iêmen em nome do combate à Al Qaeda.
EUA e Iêmen mantêm estreita cooperação contra o braço da Al Qaeda na região, hoje uma das mais atuantes afiliadas da rede terrorista.

PROTESTOS
As acusações, no entanto, não lograram conter os manifestantes, que se reuniram às dezenas de milhares em pelo menos cinco cidades do país para pedir a saída de Saleh.
O ditador ocupa o cargo há 32 anos e, em resposta aos protestos, prometeu não concorrer em 2013 nem indicar o filho para a sua sucessão.
Os protestos antirregime no Iêmen, inspirados na onda de revoltas que derrubou ditadores na Tunísia e no Egito e ameaça o da Líbia, tiveram início há cerca de um mês, mas se intensificaram nas últimas duas semanas.
Desde então, pelo menos 12 pessoas já foram mortas em confrontos entre opositores e forças de segurança.
Nos últimos dias, o ditador viu também importantes líderes tribais até então aliados anunciarem apoio aos opositores. Sanaa é dependente de alianças locais para enfrentar grupos separatistas no norte e no sul do país.
Mais: ontem, um clérigo local acusado pelos EUA de ter elos com a Al Qaeda, e até duas semanas atrás aliado de Saleh, se somou aos protestos para pedir sua renúncia e um Estado islâmico no país.

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